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As Cinco Lições de Carl Schmitt para a Rússia

O famoso jurista alemão Carl Schmitt é considerado um clássico do direito moderno. Alguns o chamam de “Maquiavel moderno” por sua falta de moralismo sentimental e de retórica humanista em sua análise da realidade política. Carl Schmitt acreditava que, ao determinar questões legais, é importante primeiramente dar um contorno claro e realista dos processos políticos e sociais e evitar o utopismo, os anseios e imperativos e dogmas apriorísticos. Hoje, as heranças jurídica e acadêmica de Carl Schmitt compõem um elemento necessário da educação jurídica em universidades ocidentais. Para a Rússia também, a criatividade de Schmitt é de interesse especial e de importância particular, já que ele tomou interesse nas situações críticas da vida política moderna. Indubitavelmente, suas análises do direito e do contexto político da legalidade podem nos ajudar a compreender mais claramente e profundamente o que exatamente está acontecendo em nossa sociedade e na Rússia.

Marcelo Odebrecht ensina: democracia é ilusão

Inúmeros nomes, listas inteiras de pessoas, empresas, firmas, partidos políticos e figurões. As delações intermináveis dos Odebrecht (e principalmente de Marcelo, o sucessor dessa dinastia) mostram algo bastante simples, e que parece ainda não ter sido compreendido pela maioria dos observadores: democracia é ilusão.

A dinastia Odebrecht praticamente tem ditado os rumos da política brasileira (e não só dela) há pelo menos mais de trinta anos - remontando inclusive ao regime militar, o que destrói a retórica direitista da "moral ilibada" dos governantes militares.

Em todos os processos eleitorais, a empresa Odebrecht (empreiteira, essencialmente dominante e com um capital vastíssimo) financiou diretamente as candidaturas de praticamente todos os candidatos (ao menos os mais significativos deles). Isso significa, em termos práticos, que não importa quem vence uma eleição, a Odebrecht sempre ganharia - como num Cassino: a casa sempre ganha.

René Guénon: Tradicionalismo como Linguagem

René Guénon é a pessoa mais reta, inteligente e importante do século XX. Um trabalho mais esperto, profundo, claro e absoluto não houve e provavelmente não poderia haver. Não é coincidência que o tradicionalista francês René Alleau em um volume dedicado a Guénon comparou sua obra à de Marx. Aparentemente, figuras bem diferentes, opostas. Guénon é um ultratradicionalista conservador. Marx era um inovador revolucionário, um iconoclasta subversivo radical. Mas René Alleau adivinhou de forma absolutamente correta a mensagem revolucionária da exegese de Guénon, o inconformismo extremo e brutal de sua posição, sua derrubada de tudo, a natureza totalmente radical de seu pensamento. O fato de que René Guénon foi o único autor, o único pensador do século XX, e muitos séculos antes disso, que não só identificou e entrou no paradigma secundário da linguagem, mas também questionou a própria essência da linguagem (e da metalinguagem). A linguagem do marxismo era metodologicamente muito interessante (especialmente em certo momento histórico), reduzindo estreitamente a existência histórica da humanidade por uma fórmula clara e convincente ao confronto entre trabalho e capital (o que, na verdade, foi um progresso epistemológico e revolucionário colossal, na medida em que permitiu que muitas coisas fossem organizadas e postas em um design dinâmico e mais ou menos consistente). Sendo um zeitgeist paradigmático, o marxismo foi tão popular a ponto de conquistar as mentes dos maiores intelectuais do século XX. Mas na obra de Guénon há uma análise ainda mais fundamental, um desmascaramento ainda mais radical, um conflito ideológico ainda mais amplo, pondo tudo em questão.
 
Guénon desenvolveu um dos sistemas intelectuais paradigmáticos mais importantes. Naturalmente, ele existia antes de forma vaga, e foi usado em alguma medida, mas somente Guénon o identificou enquanto linguagem. Ele fez algo similar a Saussure ou outros linguistas estruturais. O aspecto mais importante do sistema paradigmático de Guénon, que ele havia deduzido, e que é, talvez, o mais universal e poderoso dos termos e conceitos de nossa época, é o conceito de "linguagem da modernidade".

O mito da borboleta dourada

Uma estranha criatura, pouco conhecida nas lendas do hemisfério norte, é muito significativa no sul: a epifania da borboleta dourada é uma das curiosas provas da teoria hermética sobre a intensidade da vida do norte (Polo Norte, como o centro da vida real) e o avanço para a morte, em direção à Antártida. Entomologistas chamam tal criatura de mariposa auri sinistra – borboleta dourada agourenta. Da Amazônia ao Zaire, de Madagascar à Polinésia, vemos crenças sobre a borboleta em diferentes personagens, mas sempre sinistras: não voa para o fogo; pode matar apenas por ser fitada e, na melhor das hipóteses, causar doenças – quando visita um berço, causa a morte do bebê. São inumeráveis as lendas sobre os efeitos nocivos da borboleta dourada entre os povos indígenas. A literatura europeia também presta uma homenagem a este monstro entomológico. Aqui está um resumo da história de Hanns Heinz Ewers, “A Vingança da Borboleta Dourada”: um viajante europeu foi até os extremos da Amazônia para fazer a  coleta  de sua coleção entomológica; após deitar para dormir, viu sobre a mesa uma borboleta dourada; tremendo de impaciência, pegou um grampo de cabelo e prendeu a borboleta. Durante o sono, sonhou com um dragão dourado e acordou: a borboleta perfurada girava em torno de sua cabeça, tentando furar seu olho. Apesar de todos os esforços do colecionador, ela assim conseguiu.

São Patrício e o Logos Irlandês

No quinto período da era dos Gaels, os irlandeses realçaram a era de São Patrício, que cristianizou a Irlanda no século V. Antes dele, a crônica falava do bispo Palladius, que veio à Irlanda em 431, enviado por Roma, mas sua imagem foi tradicionalmente fundida à de São Patrício.

Os celtas não consideraram a cristianização como uma mudança identitária radical e revolucionária, dado que a peculiaridade da cristandade irlandesa e da Igreja dos celtas, de modo geral, comparada a muitas outras sociedades europeias, não era estritamente oposta ao mito pré-cristão local, mas o incluía leve e suavemente em sua cultura espiritual. Assim, muitos druidas e personagens mitológicos foram cristianizados, e os santos e discípulos cristãos tornaram-se uma nova versão dos druidas. A cristandade irlandesa é um exemplo único da integração harmônica de tradições pré-cristãs à nova religião.
 

O Fim do Mundo realmente ocorreu

O fim do mundo aconteceu, de fato. Ele não ocorreu em um dia específico, mas se arrastou por várias décadas. O mundo que desapareceu era um mundo em que a maioria das crianças sabia como ler e escrever. Um mundo em que admirávamos os heróis ao invés das vítimas. Um mundo em que as máquinas políticas não tinham se tornado aparelhos de esmigalhar almas. Um mundo em que nós tínhamos mais modelos de papéis sociais que direitos. Um mundo em que uma pessoa podia entender o que Pascal queria dizer quando ele escreveu que os entretenimentos nos distraem de viver a verdadeira vida humana. Um mundo em que as fronteiras salvaguardavam aqueles que viviam seu modo de vida e uma vida própria.

 

O Conservadorismo revolucionário: perpétua actualidade

A essência da posição dos conservadores consiste em tudo deixar como era, como é. Isto, naturalmente facilita seriamente o trabalho daqueles que tudo querem mudar. Na verdade, o enorme estrato social, representado pelos conservadores, mete-se entre parênteses na discussão ou realização de novos programas, notoriamente recusando-se a apresentar o seu próprio projecto, o que seriamente reforça a concorrência e permite analisar com mais atenção o lado substancial do que os modernistas propõem.

A circunstância da fatal condenação do conservadorismo tradicional, e a sua involuntária e inconsciente cumplicidade com o campo progressista, já há muito foram notados pelos mais perspicazes pensadores conservadores, que tentaram compreender a razão dos seus constantes insucessos. A começar por Louis de Bonald (1754-1840), Joseph de Maistre (1753-1821), Donoso Cortés (1809-1893) e os eslavófilos russos, os conservadores começaram a questionar-se quanto seriam eles culpados dos seus próprios fracassos históricos e da fatal vitória do campo revolucionário oposto, que atribuía a si mesmo essa vitória, a contradição da qual e a reacção à qual eram, na realidade, um fenómeno da frente conservadora.

Inleiding tot de idee Marc. Eemans

Toen ik aanvaardde een essay te wijden aan het werk en het denken van de schilder, dichter en kunsthistoricus Marc. Eemans, heb ik me afgevraagd of het in mijn geval geoorloofd was te spreken van een zekere continuïteit in zijn geestelijke ontwikkeling. Langzaam maar zeker kwamen elementen en argumenten aan het licht om mijn overtuiging te staven dat die vraag positief macht beantwoord worden. Aldus is deze geschiedenis van de intellectuele en creatieve levensweg van Marc. Eemans ontstaan. Daarbij werd de klemtoon vooral op zijn denken en op zijn poëtisch oeuvre gelegd, vermits het illustratiemateriaal dat deze uitgave verrijkt, als een soort picturaal complement van mijn stelling kan beschouwd worden. Overigens bleven om voor de hand liggende redenen, biografische en andere gegevens buiten beschouwing.

Hopelijk vergeeft de lezer het me dat ik met hem wegen ga verkennen, die men normaliter in essays van het onderhavige genre links laat liggen. Maar op de eerste plaats is het zo dat ik geen kunsthistoricus ben en het derhalve als een punt van elementaire intellectuele eerlijkheid beschouw me onbevoegd te verklaren om een verantwoord waardeoordeel over het schilderkunstig werk van Marc. Eemans uit te spreken. En voorts is er het oude adagium « de gustibus et coloribus non disputandum », dat in de loop der tijden zijn geldigheid heeft behouden. Waarom de lezer dan ook willen beïnvloeden met een onvermijdelijk subjectieve analyse van de boodschap die de schilderijen van Marc. Eemans brengen?

Julius Evola e o Tradicionalismo Russo

A Descoberta de Evola na Rússia

Os trabalhos de Julius Evola foram descobertos nos anos 60 pelo grupo de intelectuais esotéricos e anti-comunistas conhecidos como “os dissidentes da direita”. Eles compunham um pequeno círculo de pessoas que conscientemente se negava a participar da “vida cultural” da URSS e que, ao invés disso, tinham escolhido uma vida subterânea para si. A disparidade entre o cultura Soviética presente e a verdadeira realidade Soviética foi quase que totalmente o motivo que os levou a buscar os princípios fundamentais que poderiam explicar as origens daquela terrível idéia absolutista. Foi pela sua recusa do Comunismo que eles descobriram certos trabalhos de autores anti-modernos e tradicionalistas: acima de tudo, os livros de René Guénon e Julius Evola. Duas personalidades centrais animavam este grupo – o filósofo islâmico Geidar Djemal e o poeta não-conformista Eugene Golovine. Graças a eles, esses “dissidentes da direita” souberam os nomes e as idéias dos dois maiores tradicionalistas do século. Nos anos 70, uma das primeiras traduções de um trabalho de Evola (A Tradição Hermética) apareceu e foi distribuída dentro de um grupo, de acordo com os métodos do Samizdat[1]. No entanto, as traduções originais eram particularmente ruins em qualidade, porque elas foram feitas por amadores incompetentes muito distantes do grupo de verdadeiros intelectuais tradicionalistas.