O Retorno de Settembrini e Naphta no Século XXI – Debate entre Aleksandr Dugin e Bernard-Henri-Lévy

Quando Bush estava em Moscou, no momento da invasão dos Estados Unidos no Iraque, ele disse: “Por favor, seja paciente, você também terá democracia, tal como no Iraque”. Putin disse: “Muito obrigado, encontraremos outra maneira de construir nossa sociedade”.

Eu acho que a imagem que você deu é correta, mas ela não tem nada a ver com a sociedade ocidental moderna, onde existe uma maneira puramente totalitária de descrever os fatos, não a favor de um pequeno grupo de proprietários de uma mídia de massa ou de outra, mas em favor de uma elite política. E eles são, nesse sentido, uma espécie de platonistas, tirando suas verdades de sua ideologia liberal; isso também é algo platônico também. E o povo se revolta contra isso, em diferentes países, também no Ocidente. Penso que a onda de populismo é precisamente a recusa do povo europeu, não da direita ou da esquerda, mas uma recusa dos cidadãos europeus comuns em relação a essa agenda absolutamente abstrata das elites liberais. Então, acho que agora não se trata do Estado, estamos falando de elites políticas.

O Dasein e a Quarta Teoria Política: Rumo a uma Crítica Adequada da Teoria Política de Aleksandr Dugin

Uma invocação explícita do Dasein para um projeto que se afasta da leitura de Heidegger é a de Jean-Luc Nancy (2008) "O ser-com do ser-aí". Nancy se concentra no existencial do ser-com. Heidegger foi criticado por forçar a categoria do ser-com, em bases fenomenologicamente injustificadas, para o campo semântico reacionário do "povo" (Volk) e da “comunidade" (Gemeinschaft) (por exemplo, Fritsche 1999)[13]. Nancy critica Heidegger por não seguir o reconhecimento da prioridade do ser-com às suas conclusões filosóficas completas, como Nancy as vê.

Para Nancy (2008), ser-com poderia ser um mero “ser-ao-lado”, um “compartilhamento de propriedades” ou uma estrutura compartilhada “comunitária ou coletiva”, com a primeira correlacionada com a democracia e a última com o totalitarismo. Ele deseja navegar entre os dois fatos de que Heidegger, por um lado, como acusam os críticos, “sempre foi um pensador comunitarista ou comunal no estilo hipernacional e hiper-heroico que Lacoue-Labarthe qualifica como ‘arqueofascismo’ e no qual o indivíduo não tem peso algum, exceto...na medida em que o indivíduo está à altura de um destino e uma civilização” e, por outro lado, que ele "penetrou no enigma do ser-com" mais profundamente do que qualquer outro pensador.

A Desconstrução da Democracia

As hipóteses platônicas nos ajudam a entender o código da filosofia política contemporânea. Em última análise, todas as oito hipóteses podem ser consideradas modelos totalmente racionais do mundo e da sociedade e, se nos afastarmos das sugestões hipnóticas de progresso, poderemos fazer uma escolha consciente em favor de qualquer uma dessas hipóteses.

Isso significa que podemos selecionar a democracia e qualquer versão da democracia, assumindo a posição da segunda tese, ou podemos escolher a não-democracia, assumindo a posição da primeira tese e reconhecendo o Um. O interessante é que essa escolha pode ser feita não apenas hoje, pois ela também ficou diante do povo da Grécia Antiga, que escolheu entre Atlântida e Atenas (o diálogo platônico “Crítias”), Atenas e Esparta (a Guerra do Peloponeso, elogiada por Tucídides), e a filosofia dos monarquistas Platão e Aristóteles e dos liberais-atomistas Demócrito e Epicuro. Enquanto o homem permanecer homem, ele carrega em si mesmo, ainda que de forma vaga e distante, uma capacidade para a filosofia. Isso significa que ele carrega em si a liberdade de escolha. O homem pode escolher a democracia, e uma de suas formas, ou pode rejeitá-la.

Abstração e Diferenciação em Julius Evola

Evola fala de arte abstrata, mas para ele toda a arte – a arte em si – é abstrata. Diferentemente da filosofia, da metafísica, da religião ou da moral, a arte é, para Evola, um campo abstrato, uma zona do abstrato. Ou a arte é abstrata ou não é. Realmente? Não seria um exagero? Aqui devemos nos referir a outro. A Martin Heidegger, para sermos mais precisos. Filósofo dos filósofos, príncipe dos filósofos, filósoco por excelência (que, entre outros, Evola não entendeu nem apreciou; todavia, as omissões dos grandes homens demandam estudo e entendimento, nunca condenação), Heidegger acreditava que o espírito possuía dois cumes – a filosofia e a poesia (mais em geral, a arte). São diferentes: as pessoas que neles ascendem veem tudo de maneira diferente, a partir de ângulos diferentes. E, ainda assim, são semelhantes: ambos se colocam muito acima do vale dos homens comuns. A filosofia opera com a razão: independentemente de como se lida com ela, de ser mais ou menos inventiva, é um fato que se ocupa apenas dela. A poesia, por sua vez, tem a ver com outra coisa... Poder-se-ia dizer “loucura”, mas seria prematuro, ainda que não tão distante da verdade... Heidegger acreditava que a filosofia se concentrava no Ser. E a arte? O que é iluminado pelos seus refletores? Heidegger responde: o sagrado (Heilige). Talvez seja um indício.

INTRODUÇÃO AO NOOMAQUIA. LIÇÃO 9. O Logos Sérvio

A terra de origem dos sérvios, portanto, não corresponde aos Balcãs, mas está localizada mais ao norte. Ao mesmo tempo, surge a questão da pátria original, o Urheimat dos eslavos, geralmente aceito como localizado ao norte dos Cárpatos. Este último não constitui a terra direta de origem sérvia, mas a terra natal original habitada pelos protoeslavos, que viviam ao norte dos Cárpatos, no espaço da atual Ucrânia oriental. Após a expansão eslava, uma parte dos eslavos migrou para o norte, para o Báltico, e entre eles estavam os eslavos de Polabi, que após os séculos V e VI representavam a população dominante nas costas do Báltico. Supõe-se que os ancestrais dos sérvios devam ser atribuídos a uma dessas tribos polabe, especificamente entre os lótus, os bodrici e os lusacianos. Os ancestrais dos sérvios, portanto, viviam a oeste das outras tribos Polabe. A partir de então, eles migraram para os Balcãs orientais, e esse território foi reconhecido e garantido a eles pelo império bizantino, na intenção de defender as fronteiras do império contra os ávaros.

 

INTRODUÇÃO A NOOMAQUIA. LIÇÃO 8. ANÁLISE NOOLÓGICA DA MODERNIDADE

Uma primeira maneira de desconstruir a modernidade é fazê-lo do ponto de vista pós-modernista. A maioria dos pós-modernistas está insatisfeita com a modernidade porque, na opinião deles, não cumpriu completamente suas promessas iniciais de superar completamente a tradição, de modo que tentam desconstruir a modernidade com sua ética hiper-modernista, a fim de alcançar os objetivos estabelecidos pela modernidade, mas que, devido a seus limites internos, não atingiram. Podemos dizer que aos olhos dos pós-modernistas a modernidade é “tradicional demais” para superar completamente a tradição, como deveria ter sido e como a pós-modernidade se preparava para fazer. A desconstrução da modernidade operada pelos pós-modernistas visa, portanto, mostrar que ela não é “suficientemente moderna”, pois não atingiu o nível de modernização necessário aos olhos da ética pós-modernista. Mas é interessante como, ao fazer isso, nesse ato desconstrutivo, eles revelam a natureza artificial da Modernidade; de fato, você só pode desconstruir algo que foi construído anteriormente.

INTRODUÇÃO AO NOOMAQUIA. LIÇÃO 7. O LOGOS CRISTÃO

Podemos formular alguns princípios gerais sobre a doutrina cristã. Em primeiro lugar, do ponto de vista noológico e geosófico, o Logos cristão é evidentemente apolíneo. Os conceitos do Deus Pai Celestial, da Santíssima Trindade, da transcendência do Criador para a própria Criação, tudo isso gerou um Logos tipicamente apolíneo e patriarcal, com uma organização do espaço metafísica completamente vertical. Estamos lidando com o Pai Celestial transcendente, localizado no Paraíso, que cria o mundo. Esse ato de criação representa uma descida de cima para baixo, da eternidade para o tempo, do Paraíso à Terra, de Deus ao homem e a outras criaturas. O relacionamento entre o Criador e a Criação é, portanto, de um tipo hierárquico, com a Criação que deve ser submetida ao Criador. Essa verticalidade constitui a própria essência da tradição cristã. Nas raízes dos princípios dogmáticos fundadores, existe uma lógica puramente apolínica. Todas as três figuras da Santíssima Trindade também são masculinas, e isso é muito significativo do ponto de vista simbólico.

INTRODUÇÃO SOBRE NOOMAQUIA LIÇÃO 6. A CIVILIZAÇÃO EUROPEIA

A tradição grega é baseada na vitória completa do Logos de Apolo. No entanto, essa vitória, como mencionei na quarta lição, não foi imediata. As tribos helênicas dos jônicos e dos eólios passaram pelas primeiras ondas migratórias nos Bálcãs e no Peloponeso, dominando a civilização matriarcal existente. Mas, enquanto alguns territórios gregos mantinham a estrutura indo-européia trifuncional puramente patriarcal, outros a perdiam total ou parcialmente. Nas culturas Minoica e micênica, portanto, foi criada uma mistura de elementos patriarcais e matriarcais. Foi apenas com a última onda migratória das tribos helênicas dos dórios – provenientes do norte, dos territórios macedônios e portadores de elementos apolíneos e pastorais essenciais – que a cultura micênica foi destruída e um estilo puramente turânico foi introduzido. Tudo isso se reflete no dualismo da cultura grega entre o Esparta dórico e a Atenas jônica, um dualismo que reflete o equilíbrio de Noomaquia dentro do espaço existencial grego, uma vez que o Logos Apolíneo se manifesta em Esparta de forma clara e marcante, ao contrário de Atenas e nas colônias da Anatólia grega, onde, em vez disso, é menos preponderante. Esse dualismo incidente também desempenha um papel fundamental na geopolítica.

A Geopolítica da Distopia: O Totalitarismo de Orwell do ponto de vista da Teoria do Mundo Multipolar

O século XX assistiu à ascensão de diferentes ideologias que tomaram a forma do que se chama hoje de “totalitarismo”, formas extremamente autoritárias de governo, com restrições a  liberdades e discursos de superioridade e ódio a outros povos e visões de mundo, caracterizando o século XX como uma era de radicalismo político, sendo inclusive chamado por historiadores como Hobsbawn como a “Era dos extremos”. As duas guerras mundiais, a formação de grandes alianças entre diferentes nações em busca da consolidação de suas ideologias, como o comunismo, o fascismo, o nazismo e o liberalismo, levaram à crise do modelo de Estado-nação westphaliano e à formação de poderosos blocos geopolíticos, como o Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética e mais tarde a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que travaram diversos conflitos bélicos e políticos que moldaram as fronteiras do mundo atual, levando ao fim de  antigos blocos e Estados e pondo fim à divisão ideológica do mundo que imperava antes da queda da União Soviética em 1991.

O que a filosofia de Vicente Ferreira da Silva pode ensinar aos adeptos da Quarta Teoria Política

Vicente se aproxima de um politeísmo, que se relaciona ao estudo das consciências, citado acima. Para nosso filósofo, os deuses são potências que, ao se apossarem dos homens, criam a consciência. Os deuses são realidades meta-humanas e, assim sendo, não são criadas pela consciência, mas sim a criam. A passagem do mito para a filosofia clareia a consciência, mas oculta a presença dos deuses. Um conceito de extrema importância na filosofia de Vicente é que sempre que ocorre um desvelamento, outro elemento é ocultado, o que ele chama de desvelamento oclusivo. Então, ao se desvelar a consciência, são ocultados os deuses. Todo o pensamento de Vicente pode ser sumarizado na inversão entre mito e logos. Ele propunha que a filosofia evoluísse retornando ao sagrado, aos deuses, exatamente o contrário do que buscava o hegemônico pensamento positivista e racionalista brasileiro. Esse foi um dos principais motivos do isolamento intelectual que lhe foi imposto. Aqui, podemos perceber como o próprio conceito de desvelamento oclusivo opera: ao resgatarmos o pensamento de Vicente, descobrimos o motivo de seu esquecimento. Ao imporem o esquecimento de seu pensamento, nos é desvelado o ponto mais central de sua obra, o aórgico, a sacralidade do mundo.

 

INTRODUÇÃO SOBRE NOOMAQUIA LIÇÃO 5. LOGOS DE DIONÍSIO

O regime diurno também é o regime guerreiro do patriarcado. O que dissemos sobre o Logos de Apolo pode ser facilmente aplicado a esse regime imaginário. De fato, segundo Durand, representa a luta contra a noite, a morte e as trevas; uma espécie de guerra apolínea perpétua. No campo da doença mental, esse regime corresponde ao estado paranoico. A paranoia é a absolutização do diurno, em que tudo é separado até o nível atômico, com uma destruição contínua do objeto paralela à consolidação do sujeito. Assim trabalha o guerreiro, lutando sem cessar e destruindo tudo o que encontra com sua espada; a espada é o diurno, o que separa, não mata, mas divide, destruindo o objeto e consolidando o sujeito.

INTRODUÇÃO SOBRE NOOMAQUIA LIÇÃO 4. O LOGOS DE CIBELE

A análise noológica do sedentarismo dos indo-europeus, dos quais nesta lição abordamos os pontos mais importantes, fornece-nos os elementos para entender a estrutura existencial de todas as sociedades indo-europeias. Agora sabemos que existem dois horizontes existenciais sobrepostos um ao outro, e é apenas a partir deste resultado que é possível aprofundar o estudo aprofundado de cada sociedade indo-européia específica – da Europa Ocidental, Europa Oriental, Irã ou Indiana. Tenho dedicado a cada uma dessas sociedades – ao Logos francês, germânico, latim, grego, inglês, iraniano, indiano – diferentes volumes do projeto Noomaquia, aplicando o conceito de “dois horizontes” para testar como essa hermenêutica opera, essa interpretação nos casos específicos representados por cada uma dessas culturas e como essa superposição de dois níveis afeta o conteúdo e a semântica de cada um desses povos. Posso afirmar com absoluta certeza que em todos os lugares podemos identificar os dois horizontes existenciais, suas interações e aspectos da prevalecente um horizonte mais do que o outro em uma variedade de contextos – na mitologia, na religião, na ciência, na visão do mundo em si – já que o Logos envolve e influencia tudo.

INTRODUÇÃO AO NOOMAQUÌA. LIÇÃO 3. O LOGOS DA CIVILIZAÇÃO INDO-EUROPEIA

Antes de tudo, vamos lidar com o horizonte existencial indo-europeu. Nesse sentido, é necessário especificar que o conceito de horizonte ou espaço existencial possa ser aplicado em diferentes escalas, tanto para pequenas comunidades quanto para médias ou grandes comunidades, unidas, por exemplo, pelas mesmas origens linguísticas. O que, então, significa um horizonte existencial indo-europeu? Se trata de um vasto tipo de união, coincidindo com o espaço em que vivem os povos que falam línguas indo-européias. A família de línguas indo-européias inclui línguas latina e românica, o grego, línguas germânicas, línguas celtas, línguas eslavas, persa, sânscrito e outras línguas pracritas, hitita e outras línguas anatólias, frígia , a língua ilírias, as línguas bálticas, etc. É interessante notar que a língua romani também pertence a essa comunidade linguística; Os ciganos têm origens incertas, mas também falam um idioma indo-europeu. O mesmo pode ser dito da língua iídiche: ela também pertence a essa família, sendo uma língua essencialmente germânica. Portanto, o ecumenismo indo-europeu, o horizonte existencial indo-europeu, é mais ou menos coincidente com o espaço habitado pelos povos que falam essas línguas. É um espaço imenso, que cobre um número enorme de populações.

INTRODUÇÃO AO NOOMAQUIA. LIÇÃO 2. GEOSOFIA

Husserl identificou o tempo com uma melodia, que é uma sequência de notas musicais que subtende uma lógica, uma chave cuja nota é de alguma forma predefinida pelas notas anteriores e a presença de uma nota desafinada perturba o ouvinte; do mesmo modo, a história, ou melhor, a esfera da história, não representa uma sequência temporal simples de fatos desconectados, mas uma sucessão de eventos que tem sua própria lógica. A história é música, mas apenas as pessoas relativas ou o Dasein podem entender completamente essa música histórica. Em outras palavras, não é universal; a história de cada pessoa opera com uma frequência sonora específica, de modo que ninguém mais é capaz de ouvir e entender perfeitamente sua melodia. Não sendo capaz de ouvir perfeitamente uma melodia de fora, é particularmente difícil expressar avaliações sobre a condição de uma pessoa específica, se ela está passando por uma fase positiva ou negativa, se está em desenvolvimento ou está em declínio, etc. Não há critérios universais no campo da história, porque a relação com o tempo é uma propriedade existencial do Dasein.

 

INTRODUÇÃO SOBRE NOOMAQUIA LIÇÃO 1. NOOLOGIA: A DISCIPLINA FILOSÓFICA DAS ESTRUTURAS INTELECTUAIS

O termo Noologia designa a uma nova disciplina filosófica. Noologia é um neologismo derivado de dois termos gregos: νοῦς (“nous”) e λόγος (“logos”).  Logos indica a palavra, o discurso ou a investigação. Assim, a Noologia é a disciplina que estuda o Nous. Mas o que é o Nous? Você pode traduzi-lo com mente ou intelecto, ou mesmo consciência. Algo que está profundamente dentro da mente humana. A questão então surge espontaneamente: o que se entende por humano?

O homem é um ser que difere de todos os outros do mundo em uma coisa: pensamento. Toda outra qualidade é compartilhada como a dos outros seres vivos, mas do pensamento constitui uma exclusividade do ser humano, que logo pode então ser definido como uma criatura pensante ou um ser pensante. Como resultado, o pensamento é por definição humano. Todos os seres vivos têm um corpo e várias instâncias relacionadas a ele (todos experimentamos dor física, prazer físico e assim por diante), mas nenhuma criatura, exceto nós, no mundo dos vivos, tem um intelecto e é capaz de pensar. O pensamento ou Nous, então, constitui a essência do homem. Todos os outros aspectos da vida são comuns ao homem e a outras criaturas, mas o pensamento, o intelecto é um aspecto único do homem e é o que nos torna humanos. Ser humano significa ser uma criatura pensante. Assim, o Nous é a raiz mais profunda do ser humano, da humanidade. Somos humanos porque o Nous está em nós.

O Advento do Robô (História e Decisão)

Estamos tocando a mesma melodia, e se não estivermos felizes poderíamos dizer “pare”... Só que isso não é possível. Temos que percorrer essa rota de volta ao princípio – rumo à primeira nota dessa sinfonia. Nós deveríamos perguntar agora: quem é o autor que deu início a esse processo de urbanização, que criou os trens, o liberalismo, a democracia, o progresso, o míssil, o computador, a fusão nuclear. Quem é o verdadeiro autor? E isso é essencial: porque foi a decisão humana, esse não foi um tipo de “processo natural”. Em um dado momento da história nós decidimos trilhar esse caminho, e agora nós só podemos desacelerar ou acelerar. Mas por que não perguntamos a nós mesmos: estaríamos indo na direção correta desde o começo? Terá sido essa decisão a correta?

Devemos retornar a esse momento, ao princípio dessa melodia – essa é minha ideia. Pode ser tarde demais e acordarmos cercados por robôs, perfeitos pagadores de impostos, tomando decisões democráticas, enviando mensagens SMS uns aos outros, de robô par robô.

HEGEL E O SALTO PLATÔNICO

Hegel estabelece uma hierarquia entre as diferentes formas políticas. Na verdade, esta é uma hierarquia evolucionária, já que cada regime é melhor que o anterior. Mas, diferente das ideias de Marx, essa evolução é, ao mesmo tempo, não somente uma reflexão da Antítese, e não é o desenvolvimento da matéria e da natureza. Essa é a distinção do Espírito, que foi originalmente inerente à natureza e à matéria. Do seguinte modo, não há materialismo aqui. Nós estamos lidando com um esquema complexo que combina a opção platônica (no princípio havia Espírito, não matéria) e o modelo evolucionário (no qual nós começamos a considerar a história a partir da Antítese, o que é reminiscente da ideia da Grande Mãe). Marx amputou a parte platônica, por isso sua interpretação de Hegel é puramente materialista. Mas Hegel é mais complexo.

Hegel à luz da Quarta Teoria Política – um breve esboço

A filosofia do alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel tem interessantes ferramentas para oferecer ao pensamento dissidente. Conceitos como dialética, práxis e Volkgeist, se adaptados à nossa luta, se tornam instrumentos de análise e de ação. Aliás, tal adaptação é fundamental, o que passa também pelo estudo de todo o percurso do pensamento pós-hegeliano, tanto em pensadores considerados de esquerda quanto nos considerados de direita. Ecos de Hegel estão em obras de naturezas tão diferentes como as de Marx, Lênin e Gramsci num oposto e Spengler, Gentile e Schmitt num outro. Essa é a distância que a sombra da influência hegeliana alcança. Nós podemos e devemos beber dessa fonte.

A Quarta Teoria Política: Não ao Liberalismo, ao Comunismo e ao Fascismo

Muitos se perguntam sobre os posicionamentos teóricos e ideológicos da Nova Resistência e acabam se confundindo, projetando na Organização doutrinas que consideramos mofadas e esgotadas. A Nova Resistência se associa ao esforço de construção da Quarta Teoria Política. Esse vídeo explica, de modo geral, o que significa esse esforço, qual seu objetivo e sua relação com as teorias políticas modernas.

Contra acusações de fascismo

Quarta Teoria Política (nem liberalismo nem comunismo nem fascismo). De resto, não somos tutelados pelo Movimento Eurasiano de Dugin (ou qualquer outro) e nem lhe devemos qualquer satisfação nem tampouco nos responsabilizamos por quaisquer posicionamentos desse ator político russo. Somos brasileiros e latino-americanos, com nossa própria “agenda” de interesses.
Isso dito, cumpre esclarecer que Dugin, um patriota russo anti-liberal, não pode em absoluto ser considerado um autor fascista – e muito menos racista (nem todo fascista é racista, de qualquer forma – ainda que fosse o caso). Nos anos 1990, Dugin esteve próximo do movimento “nacional-bolchevique” e, provocativamente, se apropriou da ideia de um “fascismo vermelho” russo. Contudo, Dugin rompeu com o Partido Nacional Bolchevique de Limonov naquela mesma década e renunciou a tais ideias há muitos anos, conforme a evolução de seu pensamento.

Kemi Seba: esperança africana de um mundo multipolar

Ele conseguiu, pela força da estratégia e do conhecimento das ruas africanas, domesticar um conceito ainda desenhado e concebido por/para o Ocidente, que vem a ser a sociedade civil. Ao fundir sua circunferência (geralmente composta de ONGs alimentadas com os seios da Europa ou dos Estados Unidos) com a rua real, ela brutalmente descompartimentou um espaço metapolítico que não pertencia a povos enraizados, mas na verdade, para as elites apátridas globalizadas. Ele entendeu o status ideológico das três principais teorias políticas modernas, que são o liberalismo, comunismo e nacionalismo. Seguindo essa lógica, ele acabou, por meio do progresso intelectual, a chegar à Quarta Teoria Política, baseada na busca da tradição primordial em sua acepção africana e no domínio dos mecanismos conceituais da multipolaridade político-civilizacional.  

Rumo à Quarta Teoria Econômica

A comunidade camponesa foi concebida como um ente soberano, e a supraestrutura acima desta consistia na esfera dos mortos e dos espíritos, que, em alguns casos, era ocupada por grupos heterogêneos (como, por exemplo, a elite dos conquistadores). Os sacrifícios, assim, eram enviados para lá, independentemente de tal esfera ser representada corporeamente (castas superiores) ou não (espíritos e mortos). Em todo caso, o eixo metafísico era personificado e responsável pela destruição dos excedentes ou das anomalias. Contudo, é fundamental estabelecer que o equilíbrio entre produção e consumo se dava no domínio da imanência pura, ou seja, era suficiente em si mesmo.

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