O neoliberalismo é o niilismo puro
O liberalismo é o processo histórico da libertação do indivíduo. Porém, nem tudo é tão claro como parece. Porque o indivíduo não existe. O indivíduo puro não existe. A pessoa concreta, o ser humano, é o ponto de confluência de muitas identidades coletivas. Por isso, o processo de libertação do indivíduo, das identidades coletivas (a religião, a classe social, a nação, o gênero), se produz ao mesmo tempo em que se cria este indivíduo (que não existe). [John] Stuart Mill, o autor mais importante do liberalismo, dizia que existe liberty e freedom. Liberty é a liberdade de algo. Freedom é a liberdade para algo. O liberalismo é a liberdade “de” algo. De que? Das identidades coletivas. No entanto, isso é negativo. Quem é realmente liberto? Não está claro. Porque quem aparece depois desta suposta libertação não é o homem, mas, sim, um simulacro: a máquina, o robô, o ciborgue. Porque, libertando este ser, indefinido em termos de coisas concretas, das identidades coletivas, surge algo: que é o pós-humano. É o pós-humanismo. Não se trata de algo casual. E o neoliberalismo, nesta linha, é niilismo puro. Quando não compreendemos isso, quando nos deixamos levar pelo progresso, pelas tecnologias, pelo conformismo e pelo consumismo, embora não sejamos vítimas inconscientes, sem nos darmos conta, estamos aprovando este processo.
