Compreendendo a “vida nua”

A sobrevivência é o conceito mais importante para Spinoza. Para ele, sobreviver está associado à duração e vida, como a habilidade de preservar a própria identidade por um dado período; habilidade = força. Para Deleuze, ecoando Nietzsche, força = vida; sobreviver é persistir em durabilidade, perseverar. A vontade de durar. O sobrevivencialismo é um estilo de vida focado em uma única missão – sobreviver, que quer dizer, vida pela própria vida, força pela própria força.

A Soberania Ideológica em um Mundo Multipolar

No mundo moderno, um modelo multipolar está claramente tomando forma – quase tomando forma. Ele substituiu a unipolaridade que foi estabelecida após o colapso do Pacto de Varsóvia e especialmente da URSS. O mundo unipolar, por sua vez, substituiu o bipolar, no qual o campo soviético se opunha geopoliticamente e ideologicamente ao Ocidente capitalista. Estas transições entre os diferentes tipos de ordem mundial não aconteceram da noite para o dia. Alguns aspectos mudaram, mas outros permaneceram os mesmos por inércia.

O paradigma da política russa: Realismo contra Liberalismo

Primeiro, vamos analisar a cartografia primária do espaço político russo. Para uma ciência política correta, o mapeamento semântico tem que estar acima de tudo. Todos os processos se dando na política russa, em geral, são vistas de forma muito aproximada. Os detalhes se diferem em contraste, mas a imagem do todo está completamente borrada. Eleições, indicações, casos criminais, escândalos de corrupção, o confronto entre grupos de poder, ataques e contra-ataques da oposição liberal ofuscam a imagem do todo com seu ritmo.

O que Aleksandr Dugin, o “Filósofo Mais Perigoso do Mundo”, realmente pensa do Ocidente?

Na minha opinião, a América não é um ethnos. A América não é um povo. A América não é uma nação. Desde o início, foi uma espécie de sociedade civil baseada na identidade individualista. Tudo foi criado em torno desta norma individualista. É a base da Constituição, da Revolução Americana; não foi uma continuação da história europeia feita pelo ethnos, pelos povos, pelas religiões, pelas nações. Foi algo criado a partir do ponto zero. Uma espécie de sociedade do futuro criada artificialmente, baseada em um princípio que excluía qualquer tipo de identidade coletiva. Mas, como os americanos eram e ainda são humanos, não se podia perceber isto [visão pós-humana] totalmente. Vocês ainda tinham alguns laços com o Outro. Portanto, vocês tinham um simulacro de comunidade, de identidade nacional. Mas o elemento individualista na própria fundação da sociedade americana foi a força que erodiu mais e mais estes princípios, até seu ponto mais extremo hoje. Penso que amanhã falar sobre alguma identidade americana comum será considerado como um discurso de ódio! Já é um crime contra o politicamente correto.

Geopolítica da Perestroika e o Colapso da URSS

Até 1985, a atitude da URSS em relação à conexão com o Ocidente era geralmente bastante cética. Somente no período de regra de Yuri Andropov mudou um pouco a situação e, de acordo com suas instruções, um grupo de cientistas soviéticos e institutos acadêmicos foi encarregado de cooperar ativamente com as estruturas globalistas (o Clube de Roma, o CFR, a Comissão Trilateral, etc.). Em geral, os principais objetivos de política externa da URSS permaneceram inalterados durante todo o trecho desde Stálin até Chernenko.

O Império como Forma Mais Completa de Organização Político-Social

A editora Letras Inquietas acaba de publicar Imperium, Eurasia, Hispanidad y Tradición, uma obra coletiva com a participação de Carlos X. Blanco, Eduard Alcántara e Robert Steuckers. Os ensaios que compõem o livro buscam na Tradição, na História e no presente, aqueles elementos conceituais necessários para uma Teoria do Império que rejeita o atual modelo absorvente, predatório e “imperialista”. Nesta ocasião, EL CORREO DE ESPAÑA conversa com Eduard Alcántara, filósofo e especialista em pensamento tradicionalista.

Takashi Miike: Anatomia do Japão Moderno

O Arquétipo Mishima na cultura japonesa do pós-guerra foi o mais alto exemplo da dialética sutil, na qual a peculiar combinação do liberalismo modernista embutido com uma série de aspectos matriarcais do xintoísmo se tornou nitidamente aparente. Assim, foi construída uma nova cultura japonesa, na qual tudo o que era propriamente japonês, relacionado à autêntica identidade japonesa, foi proibido, pervertido ou substituído. Esta cultura, que deu gerou brilhantes nomes na literatura, cinema, música, etc., foi baseada na rápida degradação do espírito tradicional japonês, na profunda desintegração do Logos celestial, dissipando-se entropicamente em partículas infinitamente pequenas. Era uma cultura em decadência, que fascinou o Ocidente em grande parte por seu exotismo, rapidez e originalidade. Os intelectuais japoneses do pós-guerra, que decidiram "esperar um pouco mais...", tornaram tudo isso ainda mais doloroso e perverso.

A Batalha pelo Cosmos na Filosofia Eurasianista

Os eurasianistas nunca foram materialistas. Neste ponto, eles se encontravam em oposição às principais tendências da ciência moderna. Ao mesmo tempo, porém, para eles era importante não simplesmente afirmar a prioridade dos elementos e princípios eternos - daí a principal tese eurasianista sobre a ideocracia, a ideologia governante, o governo das ideas - mas insistir que o mundo inteiro e toda a realidade, da política à economia e da religião à ciência, fossem permeados de ideias. Petr Savitsky insistiu no conceito de "desenvolvimento de espaço" ou "topogênese" (mestorazvitie). "Desenvolvimento de espaço" é a conjunção do espaço físico com a continuidade de significados históricos, semântica e eventos. O território está inextricavelmente ligado à história, e a história, por sua vez, é uma continuidade de ideias revelando uma única imagem da eternidade monumental que se desdobra através da humanidade e sobre seu caminho espiritual através do tempo.

Nota sobre a Quarta Teoria Política e a dimensão cultural dos povos

A Quarta Teoria Política é uma metateoria que, por um lado, critica as ideologias nascidas na modernidade, e, por outro, dá apoio ao desenvolvimento de fundamentos que permitam o surgimento de organizações sócio-políticas que sejam a expressão da dimensão cultural de cada um dos povos que existem. Nesse sentido, não há incompatibilidade alguma entre a QTP e a Autocracia Cristã Ortodoxa.

Finalmente no Brasil, o livro “A Quarta Teoria Política” de Aleksandr Dugin

A dissidência brasileira e todo mundo que possui interesse em filosofia política recebeu uma boa notícia no início do mês, com a divulgação do lançamento em português da obra “A Quarta Teoria Política”, escrita pelo filósofo, antropólogo, sociólogo (etc.) russo Aleksandr Dugin, pela recém-inaugurada Editora ARS REGIA. Não é a primeira vez que esse livro é traduzido ao português, já que a falecida Editora Austral publicou a 1ª edição brasileira da obra em 2012. Não obstante, como a tiragem foi bastante pequena, o livro rapidamente se tornou item de colecionador e há anos é quase impossível conseguir adquiri-lo.

O Quarto Nomos da Terra, a Quarta Teoria Política e a Crítica à Teoria do Progresso

Não há nada mais trágico do que não ser capaz de compreender o momento histórico em que vivemos hoje. Quando alguém não conhece o momento histórico em que vive e observa o presente com ferramentas conceituais obsoletas, perguntando-se sobre o futuro como se ainda fosse passado, então essa pessoa é incapaz de superar o passado ou de conhecer o presente. Mas qual é o momento histórico em que nos encontramos? O momento histórico em que estamos vivendo é conhecido como globalização pós-moderna.

Fenomenologia: A Realidade Não é Real

Afirma Husserl: nossa consciência está sempre voltada para alguma coisa. Essa é a ideia principal da intencionalidade introduzida por Brentano. E aquilo para que ela está direcionada está dentro de nossa consciência. Ela contém os nomes, formas, qualidades e atributos das coisas percebidas, "intencionadas". As coisas são construídas dentro da percepção e só então - depois, a posteriori - as relacionamos (convencionalmente) com o que deveria estar fora da consciência. Mas Husserl mostra que tal teste de dentro comparado com fora está longe de ser necessário para construir uma verdadeira filosofia da consciência. Podemos nos virar muito bem sem ela.

Bem-vindos, todos os recém-chegados!

Podemos observar um certo “rito de passagem”. Como tal, interpreto a situação em que culminou a presidência de Donald Trump, nomeadamente com a sua queda pela mão da elite globalista, representada por Joe Biden. Isso nada mais é do que um “rito de passagem” – personificado por desfiles gays, levantes BLM, ataques imperialistas LGBT +, o levante mundial do feminismo extremo e a chegada espetacular do pós-humanismo e da tecnocracia extrema. Existem profundos processos intelectuais e filosóficos por trás de tudo isso. E esses processos têm impacto na cultura e na política.

Guilherme de Occam e a Maldição do Nominalismo

Muitas pessoas que se consideram intelectuais ocasionalmente repetem a frase “não dupliquemos as essências” e olham em volta triunfantemente, esperando que outros apreciem sua “inteligência”. Parece realmente estúpido, e o próprio conteúdo desta afirmação, que pertence ao fundador do nominalismo, o filósofo medieval Guilherme de Occam, é simplesmente criminoso. É uma blasfêmia grosseira e imunda, uma espécie de profanação metafísica – falsa e insultuosa. E é frequentemente repetida de forma irrefletida. Tal prática deve ser interrompida.

AS SOCIEDADES, A PARTIR DE AGORA, DEVEM SER REORGANIZADAS DE ACORDO COM SUA HISTÓRIA, LONGE DE QUALQUER DOGMATISMO

Dugin levanta a hipótese de que haverá um mundo novo e mais justo. Um mundo em que os povos podem se organizar de acordo com sua própria história, cultura e religião sem serem guiados por um poder centralizado, sufocante e indiferente.

ALEXANDER DUGIN E O CONTINENTALISMO IBERO-AMERICANO

Dugin destaca que o debate sobre Geopolítica e Relações Internacionais adquiriu cada vez mais importância no meio acadêmico e científico. Ele destacou que embora existam diversos paradigmas nas Relações Internacionais, as escolas dos realistas e dos liberais são as hegemônicas nas universidades. Os primeiros consideram que a soberania é vital e que não deve haver instâncias supranacionais que limitem a capacidade do Estado nacional. Com esses princípios, o realismo apoiou o desenvolvimento econômico e as políticas de defesa nacional dos estados modernos.

PUTIN-BIDEN SUMMIT: AINDA MELHOR QUE “W-WORD”

A reunião de Putin com Biden claramente não foi boa. Nenhum dos analistas e especialistas esperavam que ela seria um avanço ou um sinal tranquilizador. Pior que isso só se não houvesse a tal reunião. Se os líderes de duas potências mundiais claramente hostis se encontrarem cara a cara, significa que pelo menos não há guerra. É claro que a guerra real pode irromper a qualquer momento: quando Biden e sua agenda extremista liberal do Grande Reset tomaram a presidência de Trump, esse risco aumentou drasticamente.

Dugin e sua atração pelo Peronismo

Se a pandemia de Covid-19 irá alterar as condições para um mundo multipolar é uma questão que precisa ser respondida. Nesse caso, Aleksandr Dugin, como muitos dos principais filósofos, não hesitou em definir o evento como um ponto de inflexão na história moderna. “Não é o fim do mundo enquanto tal, mas certamente o fim do sistema mundial capitalista, unipolar, dirigido pelo Ocidente”, disse ele em uma entrevista em maio. “O que nem ideologias, guerras, batalhas econômicas ferozes, terror, nem movimentos religiosos foram capazes de fazer, um vírus invisível, mas mortal, fez. Trouxe morte, dor, horror, pânico, tristeza… mas também o futuro”, ele também previu em março. Entretanto, ele se permitiu algumas críticas ao presidente russo. “Sua ligação com Putin é mais sobre o impacto de seu trabalho na consciência estratégica da Rússia do que sobre um vínculo político-ideológico direto. Na verdade, ele é crítico de Putin em muitos aspectos”, adverte Montenegro.

O Pan-Africanismo: Das Origens à Resistência Africana no Século XXI

Para enfrentar a ameaça globalista o micronacionalismo não serve mais. Nenhum Estado-nação é forte o bastante para, sozinho, represar e reverter a avalanche cosmopolita pós-moderna e neoliberal. Por isso, os povos do mundo devem se reorganizar segundo blocos civilizacionais continentais. Tal como nós defendemos a Pátria-Grande ibero-americana, devemos apoiar e estudar as iniciativas pan-europeístas, eurasiáticas, e, evidentemente, também o pan-africanismo que recentemente tem sido defendido por Kemi Seba, principal nome da Quarta Teoria Política na África.

Introdução à filosofia da Política

A história da filosofia e a história da política produzem estritamente um e o mesmo padrão. Isso é extremamente importante. Existe uma homologia precisa entre eles. Se a filosofia se move em uma direção, a política não pode se mover em outra direção. A política caminha junto com a filosofia. Se algo mudou na filosofia, algo mudará na política. Se algo mudou na política, algo mudou na filosofia, o que predeterminou essa mudança na política. A política não tem autonomia da filosofia. A política costuma ser mais visível, embora às vezes menos. Do ponto de vista da história … as mudanças de dinastias, de um certo líder, príncipe, imperador … para começar uma guerra … isso é evidente, é uma decisão política, mas nunca é distinta da filosofia. É o que vemos – a decisão política – mas não vemos a decisão filosófica, que deve estar aí. Do ponto de vista da filosofia da política, a história política é uma seção da história da filosofia, dependendo absolutamente dessa história filosófica. Nenhum político está livre da filosofia e nenhum filósofo pode deixar de ser visto à luz de sua dimensão política implícita.

 

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