Entendendo Dugin e a Quarta Teoria Política | Multipolaridade #3
Considerando que a Quarta Teoria Política rejeita o indivíduo, a classe e a nação enquanto motores da história, qual é o sujeito político que ela propõe como fundamento da política?
O objetivo específico da realização desta pesquisa é descrever a opinião dos "netizens", os "russos da Internet". Há muitos deles? Sim, são muitos. Em termos sociológicos, os russos podem ser divididos em duas categorias: "russos da TV" e "russos da Internet", que diferem significativamente em suas atitudes. Atualmente, um número significativo de pessoas, especialmente a geração mais jovem, não assiste à televisão e, provavelmente, muitos nem sabem o que é isso.
A ideologia liberal, em geral, interpretou o declínio do fato comunitário como intimamente ligado ao surgimento da modernidade: quanto mais o mundo moderno se impunha como tal, mais os laços comunitários iriam se enfraquecer em favor de formas de associação mais voluntárias e contratuais e de modos de comportamento mais individualistas e racionais. Desse ponto de vista, a comunidade aparece como um fenômeno residual, que as burocracias institucionais e os mercados globais estão destinados a erradicar ou dissolver. Toda ênfase dada ao valor da própria noção de comunidade pode, então, ser interpretada como uma "sobrevivência" conservadora, testemunha de uma era passada, ou como parte de uma nostalgia romântica e utópica ("sonho de uma vida simples", uma "era de ouro") ou, ao contrário, como um apelo a alguma forma de "coletivismo".
Hoje devemos começar a discutir um problema geopolítico que, em minha opinião, é central para a construção de um mundo multipolar.
A Quarta Teoria Política critica o conceito de Estado-nação. Mas o que será que isso significa e o que a Quarta Teoria Política afirma no lugar do Estado-nação? Com base no Tradicionalismo, Raphael Machado analisa a distinção entre Império e Estado-nação, demonstrando a superioridade do primeiro conceito sobre o segundo, bem como o vínculo inafastável entre liberalismo, Estado-nação e globalismo.
No âmago da Quarta Teoria Política está a ideia de Tradição. É pelo prisma da Tradição que a Quarta Teoria Política analisa as teorias políticas modernas e as disseca para construir uma alternativa.
Após sua vitória sobre o comunismo o liberalismo se instituiu como única teoria política, espalhando seu domínio por todo o planeta com a globalização. Os fascismos e comunismos demonstraram não estar à altura do enfrentamento da própria encarnação metapolítica da modernidade.
O século XX viu o embate entre liberalismo, comunismo e fascismo, com a vitória da Primeira Teoria Política ao final da Guerra Fria.
O tema da censura não é apenas de grande atualidade para nossa sociedade (especialmente no contexto da OME), mas também filosoficamente fundamental. A cultura Ocidental contemporânea recorre cada vez mais à censura, apesar de tentar apresentar o liberalismo como a abolição de todos os critérios de censura. Na realidade, o que é, se não a forma mais radical de censurar qualquer ideia, imagem, doutrina, trabalho ou pensamento que não se encaixa no dogma estreito e cada vez mais exclusivista da “sociedade aberta”?
Passemos agora a uma parte absolutamente diferente da antropologia: a forma como a filosofia e a ciência do Ocidente moderno apresentam o homem, sua essência, sua natureza. Quase sempre começamos com noções modernas, que tomamos como certas (“o progresso é obrigatório”), e através de seu prisma nos voltamos para outras noções, por exemplo, pré-modernistas. Com um certo grau de indulgência.
Um dos argumentos mais populares e debatidos é o roubo das reservas estrangeiras da Rússia pelo Ocidente e, consequentemente, a culpabilização do bloco liberal do governo por transferi-las. Estou longe de ser um defensor do liberalismo, na verdade sou um adversário inconciliável dele, mas ainda vale a pena ir até o fundo dos mitos e da propaganda.
A vida no mundo de hoje pressupõe e requer até mesmo um enorme esforço de nossa parte, não apenas em assuntos mundanos e movimentos externos. Acima de tudo, requer um esforço da mente, do pensamento — um esforço mental, um “fazer mental” como era chamado na tradição monástica dos “santos padres”, e esta praxis da Mente é necessária não apenas para fazer uma “distinção”, diacrise, como diziam os platonistas gregos, para distinguir um do outro — o precioso do não precioso, o bom do mau, o casual do fatal, mas para algo muito maior e mais significativo… Vivemos em um mundo danificado, retorcido, em uma civilização quebrada, cuja espinha dorsal está quebrada, assim como sua percepção de superioridade vertical e hierárquica. Um esforço inteligente é necessário para restaurar as proporções deste mundo hierárquico inteligente, cujo modelo foi criado por Platão, e que é o Platonismo.
1. Era moderno e estava vinculado a conceitos atados à Filosofia do Iluminismo: o que é absolutamente incorreto — a modernidade é o Mal e a falsidade. Era, portanto, uma teoria política moderna. Muito melhor que outras teorias políticas modernas, mas ainda assim moderna. Essencialmente.
Em todos os seus aspectos não-modernos, anti-modernos e pós-modernos, no entanto, não se equivocava.
Na última Conferência de Munique, o magnata globalista George Soros fez um discurso programático beligerante dirigido contra as “sociedades fechadas”, ameaçando-as com mudança de regime e revoluções coloridas. Digno de nota, também, foram os comentários de Soros sobre a questão climática.
Reflexões sobre a importância do "filósofo mais perigoso do mundo" para a causa nacionalista brasileira.
Centro de Estudos Árabes da Eurásia da atual crise explosiva entre a Rússia e o Ocidente, um de seus capítulos está acontecendo na Ucrânia; Onde cada parte analisa sua força e capacidades, a Unidade de Estudos Russos do Centro apresenta, nesta investigação de imprensa, um resumo das visões russas mais proeminentes e mais importantes sobre os últimos desenvolvimentos em torno dessa crise depois que Moscou obteve uma resposta por escrito dos Estados Unidos e seus aliados em relação às garantias de segurança que solicitou. O relatório é a opinião de vários especialistas russos proeminentes que destacaram exclusivamente o Centro. Neste contexto, a direção do Centro estende o seu agradecimento e apreço pelo tempo e esforço destes especialistas, que são:
Quando falamos em narrativa, trata-se de uma categoria filosófica que precisa ser conhecida, pois a noção de narrativa é um elemento da filosofia pós-moderna que se baseia na lingüística estrutural, no estruturalismo, em Ferdinand de Saussure, o lingüista estruturalista que separava discurso e linguagem. Este aspecto é muito importante.
O patriotismo é o amor à Pátria, e a Pátria é algo pelo qual uma pessoa é capaz de sacrificar sua vida. Esta é a definição mais importante. Os romanos tinham uma expressão semelhante: dulce et decorum est pro patria mori (“é doce e glorioso morrer pela pátria”). Significa que há algo conscientemente maior do que o valor da vida humana e este algo é a Pátria. Esta é a nossa Pátria.
Sim, o sucesso da inteligência artificial, esse “golem eletrônico” é realmente incrível. Pegar e escrever um artigo impecável, e logo, não tenho dúvidas, não só escrever um artigo, mas criar assuntos próprios, uma ideia e um estilo que um autor pensaria é incrível. Mas, para ser honesto, isso realmente não me assusta.
Pensar em multipolaridade nos leva também a refletir sobre como tal multipolaridade estaria distribuída: quais seriam os polos de um mundo multipolar? Essa é também a questão sobre quem seriam, efetivamente, os atores do mundo multipolar. A inércia intelectual nos levaria a falar nos Estados-nação, mas é praticamente consensual que, aqui, deveríamos estar abordando o tema das civilizações.
O dualismo discutido na primeira parte da análise é característico não só da humanidade, mas também dos anjos. Como ele funciona em ambos os mundos?
Entretanto, mesmo antes da criação do homem, uma divisão semelhante ocorre no nível dos anjos. Criados espíritos imortais, incorpóreos e eternos, os anjos são divididos em duas metades.
7 Mil cairão ao teu lado,
e dez mil, à tua direita,
No início há simplesmente o humano (algum ser terreno), depois há o grego, depois há Deus. Isto quer dizer que o grego é o caminho para o herói (a civilização grega é a civilização heróica) e que o herói é o caminho do humano para Deus. Assim foi para Homero e até os neoplatonistas, e depois, com certas mudanças, no cristianismo.
Um dos aspectos fulcrais da teoria do dissenso e consequentemente da antropologia existencial de Alexander Dugin é o gesto valorativo de preferência por nós mesmos. É nisto que se baseia o verdadeiro nacionalismo, a compreensão de que possuímos um eixo existencial próprio, cultural, que fundamenta nossa existência e deve nortear nossas decisões e estratégicas políticas. Isto quer dizer, de modo bastante simples, que nos diversos âmbitos da nossa vida, devemos ser autenticamente ligados à nossa tradição. Isso diz respeito a níveis espirituais e materiais.
No momento, o Cazaquistão é vítima de sua política multilateral, com a qual tentou jogar com o Ocidente e com a Rússia e a China.
O conflito na Ucrânia é a "primeira guerra multipolar" do mundo, na qual a Rússia luta pelo direito de cada civilização de escolher seu próprio caminho enquanto o Ocidente deseja manter seu globalismo totalitário hegemônico, disse Aleksandr Dugin à RT em uma entrevista exclusiva na sexta-feira.
Um ano se passou desde o início da Operação Militar Especial Russa na Ucrânia. Começou precisamente como uma Operação Militar Especial, é claro hoje que a Rússia se viu em uma guerra difícil e de pleno direito. A guerra não tanto com a Ucrânia – enquanto regime, não enquanto povo (daí a exigência de desnazificação política foi apresentada inicialmente), mas antes de tudo com o “Ocidente coletivo”, ou seja, de fato, com o bloco da OTAN (exceto pela posição especial da Turquia e da Hungria, procurando permanecer neutros no conflito – os demais países da OTAN participam da guerra do lado da Ucrânia de uma forma ou de outra).
Recentemente, foi emitido o Decreto Presidencial 809 aprovando a Política Estatal Básica para a Preservação e Fortalecimento dos Valores Morais e Espirituais Tradicionais. Agora gostaríamos de falar sobre esses valores tradicionais, para defini-los. Para que todos possam pensar sobre a transformação que ocorreu na Rússia, quando as abominações liberais foram substituídas pelos valores tradicionais. Mas primeiro vamos falar sobre a tradição como tal. Meus interlocutores são Aleksandr Dugin e o padre Protopriest Andrew Tkachev. Aleksandr Gelyevich [Dugin], o que exatamente é tradição?
Encontramos este dualismo antropológico em um contexto puramente cristão com o Apóstolo Paulo. Em sua primeira carta aos Tessalonicenses (1 Tessalonicenses 5:5-8)
Daria Dugina pode ser vista como a Joana d’Arc do mundo multipolar, em suas próprias palavras se pode ver que ela via sua missão como algo além da política, como um dever sagrado: “Essa guerra espiritual contra o mundo moderno me dá forças para viver. Estou lutando contra a hegemonia do mal pela verdade da Tradição Eterna.” – Daria Dugina
Conhecer e interpretar o Brasil passa, necessariamente, por uma compreensão primordial de suas estruturas formativas. Entre o português, o africano, o ameríndio, e a invasão do moderno.
Recentemente, o jornal Gazeta do Povo veiculou um artigo neocon estadunidense denunciando Dugin como “relativista” por negar o exepcionalismo e o universalismo dos EUA. Quem tem razão nessa querela?
Se o homem está à beira da extinção, da aniquilação, da mutação fundamental e irreversível, então o que ele é? O que ele era? Qual é sua essência e sua missão? Ao aproximar-se do limite, o homem pode rever melhor suas formas e assim conhecer sua essência, seu eidos.
Em um discurso em Hamburgo em 28 de abril de 1924, Oswald Spengler evocou a figura do Barão von Ungern-Sternberg, que quatro anos antes havia reunido um exército "com o qual logo teria a Ásia Central firmemente ao seu alcance. Este homem - disse Spengler - havia incondicionalmente ligado a si mesmo a população de vastas regiões, e se ele tivesse querido tomar a iniciativa e sua eliminação não tivesse tido sucesso com os bolcheviques, não se pode imaginar como a imagem da Ásia já seria hoje". O Barão Ungern-Sternberg já havia passado para a história. E à lenda.
Último texto do ciclo que elucida a questão e a presença do caos no mundo. Por fim, Aleksandr Dugin cristaliza o momento que vivemos como a luta escatológica da ordem contra o caos, a Rússia ocupando a posição do trono que detém o caos: o Katechon.
“Estou convencido de que a verdadeira democracia em um mundo multipolar pressupõe antes de tudo a possibilidade de qualquer povo — quero enfatizar isso — qualquer sociedade, qualquer civilização escolher seu próprio caminho, seu próprio sistema sócio-político.” — Vladimir Putin
O Dasein é, segundo Heidegger, o ser humano entendido como “ser-aí”. O que para o liberalismo é o indivíduo, para o marxismo é a classe social e para o neoliberalismo o “pós-indivíduo”, quer dizer, o sujeito sobre o qual se assenta uma teoria política, para a Quarta Teoria Política (daqui para a frente QTP) é o Dasein.
A pós-modernidade toma por norte a abolição de toda hierarquia e diferenciação que indique distinção profunda e qualitativa da realidade. Olhamos agora diretamente para a mistura caótica das novas ideias de gênero, ecologia e transumanismo.
Texto base de comunicação proferida por ocasião do I Congresso Regional Sul-Sudeste da Nova Resistência, a respeito do conceito de noomaquia delineado pelo professor Alexander Dugin e, partindo deste, da busca pelo Logos Brasileiro.
A guerra é uma realidade, e uma realidade multidimensional. Temos explorado suas dimensões estratégicas, geopolíticas, econômicas, sociais, mas ela também é metafísica. Daria Dugina nos recorda sobre a essência metafísica da guerra, e por que precisamos dela.
Continuando sua reflexão sobre a natureza e história do caos, desde de sua concepção na Grécia antiga, Alexander Dugin o relaciona com as noções fundamentais do Estado, da geopolítica, pós-modernidade e a Operação Militar Especial.
Historicamente é comum abordar, de forma dicotômica, os conceitos de Primeiro Mundo e Terceiro Mundo sem dar muita atenção o que se encontra na posição intermediária. Segundo Alexander Dugin, porém, é precisamente o conceito de Segundo Mundo que precisa ser resgatado, nos termos da ideia de Estado-Civilização, para ajudar a construir a multipolaridade.
Excerto da obra “Etnossociologia: as fundações”, de Alexander Dugin, sobre o conceito básico e fundamental de ethnos (etnose), como categoria eidética de uma profunda taxonomia etnossociológica.
Os participantes mais atentos da frente ucraniana notam a natureza peculiar desta guerra: o fator caos tem aumentado enormemente. Isto se aplica a todos os lados da OME, tanto às ações e estratégias do inimigo quanto ao nosso comando, ao papel dramaticamente crescente da tecnologia (drones e aeronaves de todos os tipos) e ao intenso suporte de informação online, onde é quase impossível distinguir o fictício do real. Esta é uma guerra de caos. Chegou a hora de revisitar este conceito fundamental.
A “Nova Direita” é um conjunto de movimentos intelectuais que surgiu em 1968 como uma reação à crise ideológica e ao fortalecimento da hegemonia liberal na Europa. Em 1968, os movimentos clássicos de “direita” estavam repletos de motivos ideológicos liberais, como a adoção do capitalismo, sentimentos pró-americanos e estatismo. Por sua vez, a agenda da “esquerda”, cujo núcleo era constituído pela oposição ao capitalismo1, também foi afetada por influências liberais. O igualitarismo, o individualismo, a negação das diferenças entre as culturas e o universalismo estavam tornando os movimentos de “esquerda” aliados e parceiros da doutrina liberal.
É evidente que a história da filosofia deve ser estudada a partir de um ponto de partida previamente determinado. Parece natural que tomemos automaticamente este como o momento contemporâneo. O momento contemporâneo significa o “aqui e agora”, hic et nunc. Este momento age como nossa posição de partida, como nosso “ponto de observação”, a partir do qual podemos examinar a filosofia como a história da filosofia. A história da filosofia se desdobra assim em nossa direção, rumo a nós. Isto diz respeito tanto ao tempo quanto ao lugar: a filosofia está historicamente situada entre suas “fontes” (por exemplo, os pré-Socráticos) e a posição no século XXI (em sua auto-reflexão filosófica). Como regra, este vetor temporal é mais ou menos reflexivo, daí porque a principal disciplina (axial) em todos os setores da filosofia é a história da filosofia. Em virtude da fixação neste vetor histórico-filosófico, adquirimos a possibilidade de participar deste processo, para consolidar nossa própria posição como “filósofo” em uma estrutura histórico-filosófica. Este é o nunc, o “agora”, o setor temporal no qual nosso pensamento é colocado, se ele quiser ser “filosófico”.
Alexander Dugin ilumina a razão da Rússia ter inaugurado um monumento a Fidel Castro em seu próprio território.
05.11.2022 - Antes das narrativas, vem a linguagem, a estrutura com que concatenamos a consciência e a presença pré-consciente do mundo. Para construir uma perspectiva genuína e soberana do mundo, é imperativo construir, reencontrar, nossa linguagem.
